
Os transtornos de ansiedade constituem uma das categorias mais comuns de transtornos mentais. Globalmente, estima-se que cerca de 4% da população mundial sofra de algum transtorno de ansiedade. Eles são caracterizados por medo, preocupação, apreensão excessiva e persistente, que são desproporcionais à situação real. Em casos mais extremos pode-se apresentar com sintomas físicos, que causam sofrimento intenso e prejuízo na vida do indivíduo.
Qual a diferença entre a ansiedade “normal” e o transtorno de ansiedade?
Ansiedade “normal”: é uma emoção humana básica e essencial, um mecanismo de sobrevivência que nos prepara para lidar com desafios ou perigos. Ela nos deixa em estado de alerta, aguça nossos sentidos e melhora nosso desempenho em situações de estresse. É o “frio na barriga” antes de uma apresentação importante, a preocupação antes de uma prova ou a cautela ao andar em uma rua escura à noite. Ela é pontual, passageira e não causa limitações a pessoa.
Transtorno de ansiedade: o sistema de alerta do corpo se torna disfuncional e dispara em momentos inadequados, com uma intensidade muito alta ou não desliga. Não tem uma função adaptativa e em vez de ajudar, paralisa, causa sofrimento e limita a vida da pessoa. A sensação de ansiedade e tensão é constante, a pessoa sente que não consegue desligar, com pensamentos acelerados e preocupações excessivas. Causa prejuízos reais no dia a dia, afetando o trabalho, os estudos, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Quais as causas dos transtornos de ansiedade?
Os transtornos de ansiedade não possuem uma causa única e isolada. Pelo contrário, emergem de uma complexa interação de fatores genéticos, biológicos ambientais e psicológicos.
Fatores Genéticos: a hereditariedade desempenha um papel significativo na predisposição para os transtornos de ansiedade. Indivíduos com histórico familiar de transtornos de ansiedade ou outras condições de saúde mental, como a depressão, apresentam uma maior probabilidade de desenvolverem transtornos ansiosos.
Fatores biológicos: condições médicas como doenças da tireoide, problemas cardíacos e condições respiratórias crônicas. Uso ou a abstinência de certas substâncias, como cafeína, álcool, drogas ilícitas e alguns medicamentos. Desequilíbrios de neurotransmissores que podem levar a uma hiperatividade em certas áreas do cérebro
Fatores Ambientais e Experiências de Vida: ambiente de vida conturbado, eventos traumáticos como perda de ente querido ou divórcio, exposição a situações de violência e experiências traumáticas na infância e adolescência (bullying ou abuso físico e sexual).
Fatores Psicológicos e de Personalidade: pessoas com certos traços de personalidade, como timidez, pessimismo, baixa autoestima ou uma tendência a serem excessivamente autocríticas, podem ser mais propensas a desenvolver transtornos de ansiedade.
Dr. Leonardo é médico psiquiatra com experiência no tratamento da ansiedade e do transtorno de pânico.

Dr. Leonardo Faria é médico psiquiatra, atuante na cidade de Belo Horizonte e assistente do Hospital Espírita André Luiz. Tem experiência no acompanhamento de pacientes com transtornos ansiosos podendo indicar o melhor tratamento e devolver a você sua qualidade de vida e produtividade.
O que dizem os pacientes sobre o Dr. Leonardo
Dr. Leonardo possui 300 opiniões de pacientes no doctoralia e avaliação 5 estrelas.




Como saber se minha ansiedade é doença?
Não existe nenhum exame de sangue ou imagem para diagnosticar os transtornos de ansiedade. O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um médico psiquiatra experiente para que sejam tomadas condutas e orientações adequadas. Abaixo, listo alguns sintomas característicos do quadro:
– Preocupação excessiva e incontrolável
– Sensação constante de tensão ou nervosismo
– Dificuldade de concentração
– Irritabilidade
– Medo constante
– Incerteza e dificuldade para tomar decisões
– Inquietação
– Tensão muscular
– Problemas de sono
– Dores de cabeça frequentes.
– Tremores ou espasmos.
– Suor excessivo
Como acontecem as crises de pânico?

As crises de pânico podem ocorrer quando há aumento de sintomas ansiosos diante de uma situação de estresse ou podem acontecer de maneira inesperada (do nada) e recorrente, o que caracteriza o transtorno de pânico. Frequentemente pessoas comparecem ao serviço de urgência de hospitais à procura de atendimento achando que estão tendo um ataque cardíaco, quando na verdade trata-se de uma crise de pânico.
Quais são os sintomas na crise de pânico?
– Palpitações ou taquicardia (sensação de coração acelerado)
– Sudorese intensa
– Tremores pelo corpo.
– Sensações de falta de ar ou sufocamento
– Sensação de aperto, pressão ou dor no peito.
– Mal-estar no estômago, que pode incluir ânsia de vômito.
– Impressão de que vai desmaiar ou perder o equilíbrio.
– Calafrios ou ondas de calor
– Sensações de formigamento ou dormência, geralmente nas mãos, pés ou rosto.
– Sentimentos de irrealidade (como se o mundo ao redor não fosse real) ou a sensação de estar distanciado de si mesmo (como se estivesse observando a si mesmo de fora).
– Medo de perder o controle ou “enlouquecer”
– Medo de morrer: Uma forte convicção de que está prestes a morrer.
Como agir diante de uma crise de ansiedade/pânico?

As crises de ansiedade, apesar de terem sintomas intensos e extremamente desconfortáveis, passam sozinhas em poucos minutos. Algumas técnicas comportamentais e de respiração são bastante efetivas durante uma crise de ansiedade, como por exemplo:
– Vá para um lugar tranquilo e com menos pessoas
– Inspire o ar pelo nariz por 4 segundos e depois solte lentamente por 6 segundos . Para facilitar, imagine uma vela acesa bem próxima a sua frente e tente não apagá-la.
– Repita esse passo a passo por alguns minutos
– Tente desviar a atenção dos sintomas físicos e dos pensamentos catastróficos. Concentre-se em objetos ao seu redor. Observe suas cores, formas e texturas.
*Lembre-se de que você está tendo uma crise de ansiedade e que ela é temporária.
Como é o tratamento dos transtornos de ansiedade?
O tratamento dos transtornos de ansiedade geralmente envolve uma abordagem multifacetada, combinando psicoterapia, medicamentos e mudanças no estilo de vida. Ele é essencial para devolver ao indivíduo sua qualidade de vida.
Psicoterapia
A psicoterapia é um pilar fundamental no tratamento dos transtornos ansiosos. A abordagem mais estudada e com maior eficácia comprovada é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Medicamentos
O tratamento medicamentoso também é uma opção importante, especialmente em casos de ansiedade moderada a grave. Os medicamentos mais comumente prescritos são antidepressivos, sendo esta classe a primeira linha no tratamento. Em casos mais específicos pode-se lançar mão de benzodiazepínicos, os ansiolíticos.
Mudanças no Estilo de Vida e Estratégias Complementares
Além da psicoterapia e dos medicamentos, diversas mudanças no estilo de vida e estratégias complementares podem auxiliar no controle dos sintomas, tais como prática regular de atividade física, meditação e alimentação saudável e equilibrada
.
O tratamento é um processo individualizado e a combinação ideal de abordagens pode variar de pessoa para pessoa. É essencial procurar a ajuda de um psiquiatra para obter um diagnóstico correto e um plano de tratamento adequado.
Se eu tiver que usar medicação, será para sempre?
Não, o uso contínuo de medicação não é necessário para todos os casos de transtornos de ansiedade. A decisão sobre a duração do tratamento é individualizada e depende fatores como gravidade dos sintomas, reincidência de episódios, presença de comorbidades, dentre outros. Todos os casos devem ser avaliados por um médico psiquiatra em conjunto com o paciente.
