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Dr. Leonardo Faria – Médico Psiquiatra em Bairro Funcionários – BH

O que é TDAH? Desmistificando o Transtorno

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, conhecido pela sigla TDAH, é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta o funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pelo controle de impulsos, foco, organização e planejamento. É uma das condições mais comuns na infância e adolescência, podendo persistir na vida adulta e trazer impactos significativos para a rotina acadêmica, profissional e para as relações sociais.

Pessoas com o transtorno apresentam um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere diretamente em seu desenvolvimento e qualidade de vida.

TDAH não é “falta de vontade” ou “preguiça”: A base neurobiológica do transtorno

É fundamental esclarecer um dos mitos mais prejudiciais associados ao transtorno: o TDAH não tem nenhuma relação com preguiça, falta de disciplina, irresponsabilidade ou falha de caráter. Trata-se de uma condição com uma base neurobiológica bem estabelecida.

Pesquisas demonstram que o cérebro de uma pessoa com TDAH funciona de maneira diferente. Essas diferenças estão concentradas principalmente em duas áreas:

  1. Estrutura e Ativação Cerebral: Regiões como o córtex pré-frontal, que atua como o “diretor executivo” do nosso cérebro, responsável por planejar, focar a atenção, tomar decisões e controlar impulsos, apresentam um desenvolvimento e uma ativação diferentes em portadores do transtorno.
  2. Neurotransmissores: Há um desequilíbrio na disponibilidade de importantes mensageiros químicos, especialmente a dopamina e a noradrenalina. Esses neurotransmissores são cruciais para a comunicação entre os neurônios e desempenham um papel vital na regulação da atenção, motivação e controle motor. A menor disponibilidade deles ajuda a explicar por que tarefas consideradas “chatas” ou que exigem esforço mental sustentado são tão desafiadoras para quem tem TDAH.

Dr. Leonardo Faria e TDAH

Como médico psiquiatra em Belo Horizonte, o Dr. Leonardo Faria compreende os desafios únicos enfrentados por adultos que convivem com o TDAH. A dificuldade de manter o foco, a procrastinação constante e a sensação de não atingir o próprio potencial não são falhas de caráter, mas sim sintomas de uma condição neurobiológica que merece e precisa de tratamento especializado. Sua abordagem para o tratamento do TDAH em BH é focada em um diagnóstico preciso e na criação de um plano terapêutico individualizado, que pode incluir medicação e estratégias comportamentais. Se você busca um especialista para te ajudar a transformar sua relação com o foco e a produtividade, agende uma consulta.

O que os pacientes falam sobre o Dr. Leonardo

Dr. Leonardo tem 300 opiniões dos pacientes no Doctoralia e avaliação 5 estrelas.

Quais são os principais sintomas do TDAH?

Os sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade podem variar muito de pessoa para pessoa e, geralmente, se agrupam em duas categorias principais: Desatenção e Hiperatividade/Impulsividade.

É importante lembrar que todos nós podemos apresentar alguns desses traços ocasionalmente. A diferença no TDAH é a intensidade e a constância com que eles se manifestam.

Sinais de Desatenção no dia a dia

  • Cometer erros por descuido em tarefas escolares ou profissionais por não conseguir prestar atenção a detalhes.
  • Ter grande dificuldade em manter o foco em tarefas longas, palestras, leituras ou conversas extensas.
  • Parecer não ouvir quando alguém fala diretamente com você, como se a mente estivesse em outro lugar.
  • Iniciar várias tarefas, mas ter grande dificuldade em finalizá-las, deixando um rastro de projetos inacabados.
  • Dificuldade em organizar tarefas e atividades, o que pode resultar em mesas e ambientes bagunçados, má gestão do tempo e perda de prazos.
  • Evitar ou procrastinar tarefas que exigem esforço mental prolongado e sustentado, como preencher relatórios ou formulários.
  • Perder objetos essenciais com frequência, como chaves, carteira, celular ou óculos.
  • Ser facilmente distraído por estímulos externos que outras pessoas conseguiriam ignorar.
  • Ser esquecido em atividades diárias, como pagar contas, retornar ligações ou manter compromissos.

Sinais de Hiperatividade e Impulsividade.

Sinais de Hiperatividade:

  • Inquietação constante, mexer as mãos ou os pés, ou se remexer na cadeira.
  • Dificuldade em permanecer sentado em situações apropriadas, como em salas de aula, reuniões ou no cinema.
  • Em crianças, correr ou escalar em excesso. Em adultos, essa sensação se manifesta como uma forte inquietação interna.
  • Sentir-se frequentemente “ligado no 220” ou “a mil por hora”, como se estivesse movido por um motor.
  • Falar demais, muitas vezes sem perceber o fluxo da conversa.

Sinais de Impulsividade:

  • Dar respostas antes que as perguntas sejam concluídas, “atropelando” a fala dos outros.
  • Ter grande dificuldade em esperar sua vez em filas ou em conversas.
  • Interromper conversas, jogos ou se intrometer em atividades de outras pessoas sem ser convidado.

Como o TDAH se manifesta em adultos?

Embora o TDAH comece na infância, os sintomas evoluem e se transformam ao longo da vida. Muitos adultos que não foram diagnosticados quando crianças enfrentam desafios diários sem entender a origem de suas dificuldade.

  • Inquietação mental: A hiperatividade física muitas vezes diminui e se transforma em uma inquietação mental constante. A mente parece não parar, pulando de um pensamento para o outro.
  • Desorganização crônica: A dificuldade em gerenciar o tempo, as finanças e o ambiente físico torna-se um grande obstáculo, levando à perda de prazos e contas não pagas.
  • Procrastinação extrema: O ato de adiar tarefas, especialmente as mais complexas ou burocráticas, torna-se um padrão de comportamento difícil de quebrar.
  • Dificuldade em regular as emoções: Muitos adultos com TDAH experimentam “tempestades emocionais”, com explosões de raiva, baixa tolerância à frustração e mudanças de humor rápidas.
  • Problemas nos relacionamentos: A impulsividade na fala, o esquecimento de datas importantes e a dificuldade em prestar atenção ao parceiro podem gerar conflitos frequentes.
  • Instabilidade profissional: A busca por novidade e o tédio com a rotina podem levar a mudanças constantes de emprego, sem conseguir se firmar em uma carreira.
  • Comportamentos de risco: A impulsividade pode se manifestar em áreas como gastos excessivos, direção imprudente ou uso de substâncias.

Reconhecer esses padrões em si mesmo ou em alguém próximo é o primeiro e mais importante passo para buscar uma avaliação profissional e encontrar estratégias eficazes para lidar com os desafios e aproveitar os potenciais que toda pessoa com TDAH possui.

Tipos de TDAH: Entenda as Apresentações do Transtorno

O TDAH não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Conforme os manuais de diagnóstico mais atuais, como o DSM-5, não falamos mais em “tipos” estanques, mas sim em “apresentações”. Isso porque a forma como os sintomas se destacam pode mudar ao longo da vida de uma pessoa.

Apresentação Predominantemente Desatenta

As pessoas com esta apresentação são frequentemente descritas como “sonhadoras”, “avoadas” ou “no mundo da lua”. A dificuldade não está em um excesso de energia, mas sim em regular o foco e sustentar o esforço mental. A “inquietude” aqui é mais mental do que física.

  • Características Principais: Dificuldade de organização, procrastinação, esquecimento de compromissos e objetos, e tendência a cometer erros por descuido.
  • Observação: Esta apresentação é mais comum em mulheres e meninas. Por ser menos disruptiva externamente, muitas vezes passa despercebida e a pessoa pode sofrer por anos com rótulos de “preguiçosa” ou “desinteressada” sem receber o diagnóstico correto.

Apresentação Predominantemente Hiperativa/Impulsiva

A pessoa com esta apresentação parece estar constantemente “ligada a um motor”. Há uma necessidade incessante de movimento e uma grande dificuldade em controlar impulsos, seja na fala, nas ações ou nas decisões.

  • Características Principais: Inquietação motora (mexer pés e mãos), dificuldade em ficar parado, falar excessivamente, interromper os outros e tomar decisões precipitadas.
  • Observação: Esta apresentação é mais facilmente identificada e diagnosticada em crianças pequenas, especialmente em meninos, pois os comportamentos são mais externalizados e causam maior perturbação em ambientes como a sala de aula.

 Apresentação Combinada

A apresentação combinada é a mais comum entre todas. Para ser diagnosticada, a pessoa precisa preencher os critérios tanto para desatenção quanto para hiperatividade-impulsividade. Uma pessoa pode, por exemplo, adiar impulsivamente uma tarefa importante (procrastinação) e depois se distrair com outras coisas, não conseguindo retomá-la.

  • Características Principais: Engloba os sinais de ambas as apresentações descritas anteriormente, resultando em um quadro complexo e desafiador.
  • Observação: A intensidade dos sintomas de cada polo pode variar ao longo do tempo.

Diagnóstico do TDAH: Como é Feito e Quem Procurar?

É fundamental entender que o diagnóstico do transtorno é um processo clínico detalhado (não existe um exame de sangue ou imagem) que vai muito além de preencher um questionário online ou se identificar com algumas características.

A confirmação diagnóstica só pode e deve ser feita por um profissional qualificado. Tentar se autodiagnosticar ou aceitar opiniões de pessoas não habilitadas pode levar a conclusões equivocadas, atrasar o tratamento correto e até mesmo mascarar outras condições de saúde.

A importância de uma avaliação psiquiátrica.

O diagnóstico do TDAH é exclusivamente clínico. Isso significa que ele se baseia na expertise do médico para coletar, analisar e interpretar um conjunto de informações sobre o paciente. O Psiquiatra é o especialista em saúde mental mais preparado para diagnosticar e tratar o TDAH, especialmente em adolescentes e adultos.

O processo de avaliação geralmente envolve:

  • Entrevista clínica detalhada: O médico irá conversar longamente com o paciente (e, no caso de crianças, com os pais e professores) para entender a história de vida, o início dos sintomas e os prejuízos causados por eles.
  • Histórico de desenvolvimento: A investigação sobre o comportamento na infância é um pilar do diagnóstico, pois o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento e seus sinais devem estar presentes desde cedo.
  • Aplicação de escalas e questionários: Ferramentas padronizadas são usadas como apoio para rastrear e medir a intensidade dos sintomas, mas nunca como único critério para o diagnóstico.

Descartando outras condições: O diagnóstico diferencial

Muitas condições podem “imitar” a desatenção, a inquietação e a impulsividade do TDAH, como por exemplo:

  • Transtornos de Ansiedade: A ansiedade pode causar agitação mental, dificuldade de concentração e inquietação física.
  • Depressão: A falta de energia, a dificuldade de foco e a perda de motivação na depressão podem ser confundidas com a desatenção do TDAH.
  • Transtornos do Sono: Noites mal dormidas afetam diretamente nossa capacidade de concentração e nosso humor no dia seguinte.
  • Problemas de tireoide: Tanto o hipertireoidismo quanto o hipotireoidismo podem causar sintomas que se assemelham aos do TDAH.
  • Uso de substâncias: O abuso de álcool ou outras drogas também impacta a cognição e o comportamento.

Somente um médico pode fazer essa distinção com segurança, garantindo que você receba o tratamento para a condição correta.

Existe um “teste” para TDAH?

Esta é uma pergunta muito frequente e a resposta direta é: não. Não existe, até o momento, nenhum exame de sangue, tomografia, ressonância magnética ou eletroencefalograma que, sozinho, possa confirmar o diagnóstico de TDAH. A identificação do transtorno é baseada na avaliação clínica.

O que existe e pode ser usado como uma ferramenta complementar importante é a Avaliação Neuropsicológica. Trata-se de uma bateria de testes e tarefas, aplicada por um neuropsicólogo, que avalia detalhadamente diversas funções cognitivas como a atenção, a memória, as funções executivas (planejamento, organização) e o controle inibitório.

Essa avaliação não “diagnostica” o TDAH, mas fornece dados valiosos que ajudam o médico a entender o perfil cognitivo do paciente, medir a intensidade dos déficits e auxiliar no diagnóstico diferencial. Portanto, a avaliação neuropsicológica é uma aliada, mas não substitui a consulta e a análise clínica do médico especialista.

Opções de Tratamento para o TDAH

Receber o diagnóstico de TDAH é, para muitos, um grande alívio. É o momento em que anos de dificuldades ganham um nome e, mais importante, um caminho para o manejo. É essencial entender que, embora o TDAH seja uma condição crônica, ou seja, não há uma “cura”, ele pode ser muito bem gerenciado com o tratamento adequado. O plano terapêutico mais eficaz é sempre individualizado, mas geralmente se baseia em uma combinação de abordagens.

Tratamento medicamentoso: Como os psicoestimulantes funcionam?

A medicação é considerada um dos pilares no tratamento do TDAH, com robustas evidências científicas de sua eficácia e segurança quando utilizada sob supervisão médica. A classe de medicamentos mais utilizada e estudada é a dos psicoestimulantes (como o metilfenidato e a lisdexanfetamina).

Os psicoestimulantes atuam aumentando a quantidade desses mensageiros químicos no cérebro. Com mais dopamina e noradrenalina disponíveis, a comunicação entre os neurônios se torna mais eficiente. O resultado prático é uma melhora na capacidade de:

  • Sustentar a atenção e o foco;
  • Controlar os impulsos;
  • Regular o nível de atividade (inquietação).

Existem também opções de medicamentos não estimulantes, que podem ser indicados em casos específicos. A escolha do fármaco, a dose e o acompanhamento devem ser feitos exclusivamente por um médico psiquiatra, que irá avaliar a resposta e monitorar qualquer possível efeito colateral.

A importância da Terapia Psicológica (TCC – Terapia Cognitivo-Comportamental)

Se a medicação atua no aspecto neuroquímico, a terapia trabalha no aspecto comportamental, emocional e estratégico. A abordagem terapêutica mais indicada para o TDAH é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

  • Desenvolvimento de habilidades de organização: Aprender a usar agendas, aplicativos e criar sistemas para gerenciar tarefas e compromissos.
  • Gerenciamento de tempo: Técnicas para combater a procrastinação, dividir grandes tarefas em passos menores e priorizar atividades.
  • Regulação emocional: Estratégias para identificar gatilhos de frustração ou raiva e aprender a lidar com a intensidade das emoções.
  • Reestruturação de pensamentos: Combater crenças negativas sobre si mesmo (“sou incapaz”, “sou preguiçoso”) que foram construídas ao longo de uma vida de dificuldades.

A terapia é uma aliada fundamental, pois enquanto a medicação ajuda a “abrir a porta” para o foco, a TCC ensina como “atravessar essa porta” e construir hábitos mais saudáveis e produtivos.

A abordagem multidisciplinar: Unindo forças para o melhor resultado

  • Acompanhamento Psiquiátrico: Para o diagnóstico, prescrição e ajuste da medicação.
  • Terapia Psicológica: Para o desenvolvimento de habilidades e o suporte emocional.
  • Mudanças no Estilo de Vida: A prática regular de exercícios físicos é comprovadamente benéfica, pois ajuda a regular o humor e a melhorar o foco. Uma rotina de sono adequada e uma alimentação balanceada também são essenciais.
  • Psicoeducação: O paciente e sua família aprendem sobre o TDAH, o que ajuda a reduzir culpas e a criar um ambiente de apoio e compreensão.
  • Suporte Adicional: Dependendo do caso, outros profissionais podem ser envolvidos, como psicopedagogos (para dificuldades de aprendizagem)

Viver com TDAH: Estratégias para o Cotidiano

O tratamento profissional com médico e psicólogo é o alicerce para gerenciar o TDAH, mas as mudanças e estratégias que você implementa no seu dia a dia são o que constroem uma vida mais funcional e com menos estresse. Viver bem com o TDAH significa aprender a trabalhar com o seu cérebro, e não contra ele.

 Dicas de organização e gerenciamento de tempo

A desorganização e a má gestão do tempo estão entre as queixas mais comuns e frustrantes de quem tem TDAH. A boa notícia é que existem técnicas eficazes para lidar com isso:

  • Use uma única agenda (física ou digital): Centralize todos os seus compromissos, tarefas e lembretes em um único lugar. Ter várias agendas ou depender apenas da memória é a receita para o esquecimento.
  • Quebre grandes tarefas em pequenos passos: Uma tarefa como “escrever o relatório” pode parecer assustadora e paralisante. Divida-a em partes menores e gerenciáveis: “1. Pesquisar o tópico”, “2. Criar o esqueleto do texto”, “3. Escrever a introdução”. Comemore a conclusão de cada passo.
  • Utilize timers e alarmes para tudo: O “time blindness” (cegueira temporal) é comum no TDAH. Use um timer para controlar o tempo em uma tarefa (a Técnica Pomodoro, com blocos de 25 minutos de foco e 5 de descanso, é excelente) e programe múltiplos alarmes e lembretes para compromissos importantes.
  • Crie um “lugar para cada coisa”: Tenha um local fixo para itens essenciais como chaves, carteira e celular. Crie o hábito de sempre colocá-los lá assim que chegar em casa. Isso reduz drasticamente o tempo perdido procurando objetos.
  • Faça uma lista de tarefas para o dia seguinte: Antes de terminar o seu dia, reserve 10 minutos para listar as 3 a 5 prioridades do dia seguinte. Isso acalma a mente para dormir e já direciona o foco pela manhã.

 Como lidar com o TDAH no trabalho e nos estudos

Ambientes que exigem foco sustentado podem ser especialmente desafiadores. Adaptar seu espaço e sua abordagem pode fazer toda a diferença.

No Ambiente de Trabalho:

  • Minimize as distrações: Se possível, organize sua mesa para que fique de frente para uma parede, e não para uma área de grande circulação.
  • Use fones de ouvido: Fones com cancelamento de ruído ou tocando músicas instrumentais podem criar uma “bolha de foco” e sinalizar aos colegas que você não deve ser interrompido.
  • Divida seu dia em blocos: Intercale tarefas que exigem alta concentração com outras mais simples e operacionais.
  • Comunique-se (se for confortável): Não é preciso revelar seu diagnóstico, mas você pode comunicar suas necessidades de forma clara. Ex: “Para me concentrar melhor neste projeto, vou bloquear minha agenda por duas horas pela manhã”.

No Ambiente de Estudos:

  • Crie um ritual e um local de estudo: Estude sempre no mesmo local, que deve ser organizado e livre de distrações (especialmente o celular, que deve ficar em outro cômodo).
  • Estude de forma ativa: Em vez de apenas ler passivamente, faça resumos, crie mapas mentais, ensine a matéria para si mesmo em voz alta. Métodos ativos mantêm o cérebro engajado.
  • Faça pausas estratégicas: O cérebro com TDAH precisa de pausas. Estude por períodos mais curtos (30-45 minutos) e faça um pequeno intervalo para se levantar, alongar ou beber água.

Mitos sobre o TDAH

A desinformação e os estigmas que cercam o TDAH representam um dos maiores obstáculos para quem vive com o transtorno. Muitas vezes, o medo do julgamento ou a crença em ideias equivocadas impede a busca por ajuda.

TDAH é um transtorno apenas de crianças?”

Esta é uma das ideias mais ultrapassadas sobre o TDAH. O transtorno é, por definição, uma condição do neurodesenvolvimento que começa na infância, mas isso não significa que ele desaparece com o tempo.

Estudos mostram que cerca de 60% ou mais das crianças diagnosticadas com TDAH continuam a apresentar sintomas significativos na vida adulta. O que acontece é que a manifestação dos sintomas muda. A hiperatividade física explícita (correr, escalar) tende a diminuir e se transformar em uma inquietação interna, ansiedade ou agitação mental constante.

A desatenção e a impulsividade, por sua vez, persistem e podem até se agravar diante das maiores responsabilidades da vida adulta, como carreira, finanças e relacionamentos. O TDAH em adultos é real, subdiagnosticado e merece atenção e tratamento adequados.

O tratamento medicamentoso vicia?”

Esta é uma preocupação legítima e muito comum, mas que precisa ser esclarecida. Quando utilizados corretamente, sob prescrição e acompanhamento de um médico especialista, os medicamentos para TDAH (como os psicoestimulantes) são seguros e não causam dependência química.

A confusão ocorre porque esses medicamentos são de uso controlado. No entanto, o uso terapêutico é muito diferente do abuso de substâncias. A medicação para o TDAH funciona corrigindo um desequilíbrio neuroquímico, ajudando a regular o funcionamento do cérebro para que ele atinja um estado mais próximo do “normal”. A dose é cuidadosamente ajustada para atingir o efeito terapêutico, não para gerar euforia.

Paradoxalmente, as evidências científicas mostram o contrário do mito: o tratamento adequado do TDAH pode, na verdade, reduzir o risco de o indivíduo desenvolver problemas com álcool e outras drogas no futuro, pois ajuda a controlar a impulsividade e a busca por sensações que são fatores de risco para a dependência.

“Pessoas com TDAH são menos inteligentes?”

Este é um mito absolutamente falso e prejudicial. Não existe nenhuma correlação entre TDAH e um baixo Quociente de Inteligência (QI). Pessoas com TDAH podem ser encontradas em todos os níveis de inteligência, incluindo os superdotados. O desafio do TDAH não está na capacidade de aprender ou de compreender informações, mas sim na dificuldade em aplicar essa inteligência de forma consistente. Os problemas estão nas funções executivas: a capacidade de iniciar uma tarefa, manter o foco, se organizar, gerenciar o tempo e controlar os impulsos.

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